O arco das formigas e a batalha que parou a internet — review da segunda temporada de Solo Leveling: o que funcionou e o que ficou devendo.

A segunda temporada de Solo Leveling tinha uma responsabilidade pesada. A primeira foi um fenômeno de estreia — visualmente impressionante, com um protagonista cativante e um sistema de progressão que vicia. Mas ela também deixou a sensação de que o melhor estava por vir.
O arco das formigas é o momento mais aguardado pelos leitores do manhwa. A Ilha de Jeju, Beru, o confronto que define quem Sung Jinwoo realmente é nesse mundo. Depois de anos de hype, a A-1 Pictures tinha que entregar.
A resposta curta: entregou onde importava mais, com alguns compromissos pelo caminho.
⚠️ Review geral com contexto de arco — sem revelar o que acontece nos episódios finais.
Arco do Castelo Demoníaco — Jinwoo precisa chegar ao centésimo andar do Castelo para obter o Elixir da Vida, o único item capaz de curar a mãe que está em coma há anos. É um arco de resolução — fecha uma das motivações pessoais mais fortes do personagem desde o início da série.
Arco da Ilha de Jeju — O foco da temporada. Uma ilha tomada por formigas mutantes que evoluíram além de qualquer ameaça já catalogada. A quarta Raid é organizada com uma força conjunta coreano-japonesa para eliminar a rainha e destruir o núcleo da colônia. O que ninguém esperava é o que emerge dessa colônia — Beru, o Rei das Formigas.
São 13 episódios no total, com a maior parte do peso dramático concentrada no segundo arco.
A animação é outro nível no clímax. A A-1 Pictures claramente guardou o melhor para o final. Os episódios que cobrem o confronto direto entre Jinwoo e Beru são alguns dos mais bem animados de 2025 — fluidos, detalhados, com uma coreografia que transforma o combate em algo que você assiste com a boca aberta. A fluidez dos movimentos, o balé de cores e a trilha sonora criam uma sequência hipnotizante. É o tipo de cena que faz qualquer fã de ação gritar na frente da tela.
O ritmo melhorou em relação à primeira temporada. A T1 tinha momentos de desaceleração que frustravam. A segunda trouxe um ritmo mais acelerado e conflitos de maior escala. A progressão de Jinwoo pela Ilha de Jeju não para — cada episódio empurra a situação para um estado mais crítico até o ponto de não retorno.
Beru é um antagonista que funciona. O Rei das Formigas é uma ameaça tangível de um jeito que poucos inimigos de Solo Leveling foram antes. Beru dizimou S-Ranks como Cha Hae-In e deixou o grupo à beira da derrota antes de Jinwoo aparecer. Há peso real nessa ameaça — e o que acontece com ele depois do confronto é um dos ganchos narrativos mais interessantes que a série já teve.
O cuidado com a fidelidade ao manhwa. A A-1 Pictures recriou painéis icônicos do manhwa, como o golpe final de Cha Hae-In na Rainha das Formigas. Para os fãs que leram antes de assistir, esse cuidado com os momentos mais celebrados da história original conta muito.
Jinwoo não perde. Nunca. É a crítica mais válida que existe sobre Solo Leveling e a segunda temporada não resolve. Você sabe, antes de qualquer batalha começar, que ele vai vencer. A questão é só como. Isso elimina a tensão que transforma grandes cenas de ação em grandes momentos narrativos — o tipo de tensão que AoT, Jujutsu Kaisen e Hunter x Hunter constroem com cuidado.
Os personagens secundários continuam subdesenvolvidos. Cha Hae-In tem potencial para ser um personagem interessante. Os outros caçadores S-Rank também. Mas a série ainda não sabe bem o que fazer com eles além de servir de contraponto para mostrar o quanto Jinwoo está acima de todos. Figuras de peso como Thomas Andre e David Brennon foram pouco ou nada desenvolvidas — e isso vai cobrar um preço na terceira temporada.
Algumas cenas do manhwa foram simplificadas. No manhwa, a cena em que Jinwoo transforma o curandeiro Byung-Gu em sombra é muito mais emocional — ele falha duas vezes porque Byung-Gu se opunha à violência, e só na terceira tentativa consegue, com um sentimento de respeito. No anime, foi resolvida com facilidade. É o tipo de detalhe que diferencia adaptação competente de adaptação excelente.
Vale mencionar explicitamente: o penúltimo episódio é, na prática, o verdadeiro final da temporada. É onde a batalha acontece, onde os momentos mais intensos se concentram, onde a animação atinge o pico.
O último episódio funciona como epílogo — amarra pontas e prepara o terreno para a terceira temporada, incluindo uma antecipação em relação ao manhwa, com Jinwoo entrando em um Red Gate que originalmente só acontece no Capítulo 110. É uma escolha inteligente para manter o momentum, mas quem assistir esperando que o clímax aconteça no último episódio vai se sentir ligeiramente fora do ritmo.
A terceira temporada deve adaptar o Arco do Recrutamento, com atenção internacional crescente em Jinwoo após os eventos da Ilha de Jeju, e o Arco do Red Gate — além da introdução formal de Thomas Andre e outros personagens de peso que a T2 começou a preparar.
Com o poder de Jinwoo agora revelado publicamente, a série entra em um território mais político — o mundo reagindo à existência de um caçador que opera em uma escala completamente diferente de qualquer outro. É o setup mais interessante que Solo Leveling já teve em termos de consequências narrativas.
Depende do que você busca.
Se você quer um dos animes mais bem animados de 2025, com um clímax de ação que compete com qualquer coisa que o gênero produziu no ano, a resposta é sim, sem hesitação.
Se você quer um shonen com profundidade emocional equivalente à ação, personagens com arcos bem construídos e tensão real sobre os resultados das batalhas, Solo Leveling ainda não chegou lá — e pode ser que nunca chegue, dado o DNA do manhwa original.
É possível gostar de Solo Leveling e reconhecer que ele não é Fullmetal Alchemist Brotherhood. Essas duas coisas não se contradizem. E no que se propõe a ser — entretenimento de ação premium com um protagonista fantasioso ascendendo acima de tudo — a segunda temporada entregou.
Crunchyroll — 13 episódios, exibidos entre janeiro e março de 2025.
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Sobre o autor
Assistiu o penúltimo episódio três vezes seguidas. Não se arrepende.