AoT acabou e deixou um buraco difícil de preencher. Esses animes parecidos com Attack on Titan têm o mesmo peso e brutalidade.

Attack on Titan acabou. E deixou um buraco específico que é difícil de preencher.
Não é só a ação — tem anime de ação em todo lugar. É a combinação de coisas que o AoT fez ao mesmo tempo: um mundo com regras próprias que vai sendo revelado aos poucos, personagens que morrem de verdade sem aviso, reviravoltas que mudam tudo que você pensava saber, e aquela sensação constante de que a humanidade está perdendo.
Essa lista não é de "animes com titãs". É de animes que vão fazer você sentir o mesmo peso.
Se você tem que escolher um único anime depois de AoT, escolha esse. Vinland Saga começa como uma história de vingança — Thorfinn, um menino que viu seu pai ser assassinado, segue o responsável pelo crime como membro de sua tropa Viking esperando a chance de se vingar. Mas em algum ponto da segunda temporada, a série faz algo que poucos shonen têm coragem de fazer: desafia completamente a premissa da primeira temporada e questiona se vingança e violência fazem sentido como motivação de vida. O paralelo com AoT é claro: ambas as séries começam com um protagonista movido por raiva e vão desconstruindo esse impulso até o espectador se perguntar quem é o herói e quem é o monstro. A segunda temporada é uma das mais surpreendentes que o anime produziu nos últimos anos — e muita gente passa fome nela esperando ação que não vem, até entender que esse é exatamente o ponto.
As semelhanças com AoT são tão diretas que parecem intencionais. Humanidade encurralada por monstros gigantes. Uma força de defesa militar organizada para combatê-los. Um protagonista que, por circunstâncias fora do controle, adquire a capacidade de se transformar no tipo de ameaça que deveria combater — e precisa esconder isso de todo mundo. O que diferencia Kaiju No. 8 de um clone é o tom. Kafka Hibino é cômico, vulnerável e tem mais de trinta anos — bem diferente da intensidade de Eren. Mas quando o sério aparece, o anime entrega batalhas e tensão que rivalizam com qualquer coisa que o gênero produziu. A segunda temporada elevou o nível consideravelmente.
Tecnicamente não tem titãs nem humanidade encurralada. Mas tem tudo o que faz AoT funcionar em nível mais profundo: worldbuilding denso e revelado gradualmente, personagens com motivações complexas, peso moral real nas decisões dos protagonistas e uma narrativa que não tem medo de ir a lugares sombrios. Edward e Alphonse Elric buscam a Pedra Filosofal para recuperar seus corpos após uma tentativa de transmutação proibida. O que parece uma jornada de aventura vai se revelando uma história sobre os limites do conhecimento, o custo do poder e quem realmente controla o mundo. É o anime mais bem escrito da lista — talvez de todos os tempos. Se você ainda não viu, pare tudo.
Esse é o mais parecido estruturalmente com AoT — e não é coincidência: foi dirigido por Tetsuro Araki, o mesmo diretor das primeiras temporadas de Attack on Titan. Humanidade cercada por muros, tentando sobreviver contra criaturas que se alimentam de humanos, com heróis que precisam controlar poderes que os tornam parcialmente semelhantes ao inimigo. O universo é diferente — aqui são trens blindados em vez de torres — mas a sensação é familiar de um jeito intencional. Não tem a profundidade narrativa de AoT, mas para quem quer a vibe pura sem comprometimento de anos de série, é uma opção sólida.
Chainsaw Man faz com as expectativas do espectador o que AoT faz com os personagens: derruba tudo sem avisar. Denji é um jovem miserável que faz trabalhos para caçadores de demônios para pagar uma dívida impagável. Quando é morto e ressuscitado com poderes de um demônio-motosserra, passa a trabalhar para uma organização governamental que usa caçadores de demônios para conter ameaças. A brutalidade é comparável, mas o tom é completamente diferente — há humor absurdo onde você menos espera, e o anime usa isso para te deixar desguardado nos momentos que realmente importam. Quando algo de peso acontece em Chainsaw Man, acontece de verdade. Sem recuperação, sem retorno.
A estrutura é familiar: humanidade ameaçada por seres sobrenaturais, uma organização de guerreiros treinados para combatê-los, e um protagonista que descobre que o limite entre humano e monstro é mais tênue do que parece — a irmã Nezuko é a prova viva disso. Demon Slayer é mais acessível que AoT em termos emocionais — tem mais calor humano, mais humor — mas a brutalidade está presente quando precisa estar, e o filme Infinity Castle entregou batalhas que colocam a série em outro patamar de produção. Para quem quer a combinação de ação impecável e apego emocional real aos personagens, essa série cobre bem.
Veja o Review Aqui →Esse é o engano de aparência mais famoso do anime. Made in Abyss parece um anime infantil sobre exploração de cavernas. Não é. Riko e Reg descem em um abismo sem fundo cheio de criaturas e fenômenos inexplicáveis, em busca da mãe de Riko que desapareceu nas profundezas. O que parece aventura vai se tornando progressivamente sombrio, cruel e psicologicamente pesado de um jeito que o AoT dos primeiros episódios faria. A série não poupa ninguém. Se você foi surpreendido por AoT na questão de "esse personagem pode morrer de verdade", Made in Abyss vai te lembrar dessa sensação.
O AoT da geração mais recente. Itadori Yuji engole um dedo de um demônio ancestral para salvar colegas e passa a hospedar a entidade mais perigosa do mundo dentro do próprio corpo — tornando-se membro involuntário de uma organização de exorcistas que decide executá-lo depois de usar seus poderes. A segunda temporada de Jujutsu Kaisen — especificamente o arco de Shibuya — é o mais próximo que o anime moderno chegou de replicar o impacto emocional dos melhores arcos de AoT. Personagens que pareciam intocáveis saem daquele arco transformados ou não saem. A série não tem medo de pagar o preço das suas histórias.
Veja o Guia Aqui →A conexão com AoT pode não parecer óbvia, mas está lá: humanidade vivendo underground por medo de uma ameaça externa, protagonista que decide desafiar o status quo e puxar a humanidade para fora dos muros, escala de ameaça que aumenta progressivamente até proporções épicas. O tom é bem mais otimista do que AoT — Gurren Lagann é fundamentalmente sobre esperança e superação. Mas tem a mesma sensação de que o mundo é muito maior do que os personagens imaginavam, e que a verdade sobre a ameaça é mais complicada do que parecia. E quando a série decide ir a lugares sombrios, vai fundo.
O mais estranho da lista — e provavelmente o que vai surpreender mais. Caiman acorda sem memória, com a cabeça de um lagarto, em um mundo onde feiticeiros exploram humanos em slums miseráveis. Ele e sua amiga Nikaido tentam descobrir quem fez isso com ele enquanto enfrentam feiticeiros cada vez mais poderosos. A conexão com AoT está na dinâmica de poder entre opressores e oprimidos, na humanidade que vive sob constante ameaça e na narrativa que vai revelando que as coisas são mais complicadas do que parecem. O visual é único — arte mais sombria e visceral que a maioria — e o humor negro aparece em momentos que fariam sentido zero em qualquer outra série e funcionam perfeitamente aqui.
Se você quer um lugar pra registrar tudo o que está assistindo na sua maratona — e não perder o fio da meada entre dez animes diferentes — dá uma olhada no Relicário. Deixa seu e-mail e a gente te avisa quando abrir.
Sobre o autor
Ainda não aceitou o final de Attack on Titan. Nunca vai aceitar.