Mateus Tavares
Her Private Hell: o retorno de Nicolas Winding Refn ao cinema depois de 10 anos vai dividir você ao meio
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Her Private Hell: o retorno de Nicolas Winding Refn ao cinema depois de 10 anos vai dividir você ao meio

Her Private Hell marca a volta de Nicolas Winding Refn após 10 anos: pesadelo neon com Sophie Thatcher que dividiu Cannes. Estreia em 24 de julho.

Her Private Hell estreia nos cinemas dos Estados Unidos em 24 de julho de 2026, distribuído pela Neon. É o primeiro longa-metragem de Nicolas Winding Refn em uma década — desde The Neon Demon, de 2016 — e já fez exatamente o que todo filme de Refn faz: dividiu Cannes ao meio entre quem aplaudiu de pé por 12 minutos e quem saiu da sala no meio da sessão.

Não existe meio-termo com Refn. E Her Private Hell não veio para mudar isso.

O que é Her Private Hell

Sophie Thatcher (de Yellowjackets e Companion) interpreta uma atriz atormentada que precisa encarar os próprios traumas paternos quando a melhor amiga se casa com o pai dela. Ao mesmo tempo, uma presença misteriosa conhecida apenas como The Leather Man está numa onda de assassinatos de mulheres jovens numa metrópole futurista engolida por uma névoa mortal.

A premissa oficial: quando uma névoa misteriosa engole uma metrópole futurista, liberando uma entidade letal e elusiva, uma jovem perturbada parte em busca do pai. Charles Melton (de May December) está no elenco ao lado de Havana Rose Liu, Kristine Froseth, Diego Calva, Dougray Scott e um time de atores japoneses incluindo Hidetoshi Nishijima.

Se isso soa coerente, é porque eu resumi. O filme, pelos relatos, é muito menos interessado em fazer sentido linear do que em criar uma experiência sensorial — neon, violência, sexo, trauma cristalizado e Charles Melton sem camisa. É Refn sendo Refn no volume máximo.

A história por trás vale tanto quanto o filme

Refn revelou em Cannes por que esse filme é intensamente pessoal: alguns anos atrás, ele morreu por 25 minutos e teve que ser ressuscitado. "Isso muda você, ser trazido de volta pela eletricidade", disse ele no palco. "Agora que estou vivo de novo, só tenho 25 anos de vida pela frente. Mas vou usar isso para viver a vida ao máximo."

Esse contexto importa. Her Private Hell não é só mais um exercício de estilo de um diretor que se tornou a própria marca — produz sob o selo byNWR, prova de que virou gênero próprio. É o trabalho de alguém que literalmente voltou da morte e decidiu fazer o filme mais excessivo, mais pessoal e menos preocupado em agradar que conseguiu imaginar. "Cinema é o futuro, cinema está vivo. Ressuscitou", declarou ele, num claro paralelo com a própria experiência.

A divisão da crítica — e por que isso é esperado

Vou ser honesto sobre os números: a recepção da crítica foi morna a negativa. 44% no Rotten Tomatoes, 38 no Metacritic, indicando avaliações "geralmente desfavoráveis". O Hollywood Reporter resumiu com a frase mais cruel possível: "Hell é a palavra certa." A Screen Daily chamou de exercício de estilo sobre substância, dizendo que a vacuidade do projeto vira sua característica principal.

Mas — e esse "mas" é o coração de qualquer filme de Refn — a divisão é o ponto. The Neon Demon também recebeu vaias, walkouts e gente gritando para a tela em 2016. Hoje é reavaliado por muitos como uma das obras visuais mais ousadas da década passada. Only God Forgives teve o mesmo destino. Refn não faz filmes para a média. Faz filmes que metade da plateia vai considerar lixo pretensioso e a outra metade vai considerar arte hipnótica.

E os defensores já apareceram: vários relatos descrevem o filme como um "sonho febril" de visual deslumbrante, com a trilha de Pino Donaggio — colaborador histórico de Brian De Palma, na primeira parceria com Refn — sendo elogiada quase unanimemente, mesmo por quem detestou o resto. Um crítico resumiu: "a forma é a função, pessoal."

A ficha técnica

TítuloHer Private Hell
DireçãoNicolas Winding Refn
RoteiroNicolas Winding Refn e Esti Giordani
ElencoSophie Thatcher, Charles Melton, Havana Rose Liu, Kristine Froseth, Diego Calva, Dougray Scott, Hidetoshi Nishijima
FotografiaMagnus Nordenhof Jonck
TrilhaPino Donaggio
ProduçãobyNWR / Neon
Duração109 minutos
Estreia EUA24 de julho de 2026 (800–1.200 telas)
Distribuição internacionalMubi (Reino Unido, Itália, Espanha, América Latina)
Crítica44% Rotten Tomatoes / 38 Metacritic

Para quem é (e para quem definitivamente não é)

É para quem ama o Refn pós-Drive — o diretor que abandonou narrativa convencional em favor de atmosfera pura, cor, mood e provocação. Se você curtiu The Neon Demon, Only God Forgives ou as séries Too Old to Die Young e Copenhagen Cowboy, esse filme foi feito para você. Vai ser um banquete visual.

Não é para quem precisa de história linear, ritmo convencional ou personagens com motivação clara. Refn não está interessado em nada disso, e fingir o contrário só vai gerar frustração. Os críticos que odiaram não estavam errados nos próprios termos — eles só não são o público.

Por isso, a recomendação honesta é simples: você provavelmente já sabe de que lado vai cair antes de comprar o ingresso. E não tem problema nenhum nisso.

Dá pra registrar Her Private Hell e deixar sua nota — provavelmente 2 ou 9, sem meio-termo — no Relicário.

Perguntas frequentes

Tem relação com o filme Her Private Hell de 1968?
Não. O título é o mesmo de um filme britânico de sexploitation de 1968 dirigido por Norman J. Warren, mas as duas obras não têm nenhuma conexão de enredo. Refn, conhecido por sua paixão por cinema cult obscuro, provavelmente escolheu o título como referência, mas o filme de 2026 é uma história completamente original.

Por que Refn ficou 10 anos sem fazer um filme?
Depois de The Neon Demon (2016), ele se dedicou a séries limitadas — Too Old to Die Young para o Prime Video e Copenhagen Cowboy para a Netflix. Além disso, passou por um grave problema de saúde que quase o matou, experiência que ele cita diretamente como influência sobre esse filme.

Vale a pena ir ao cinema mesmo com a crítica dividida?
Depende inteiramente de você gostar do estilo de Refn. Filmes dele são experiências sensoriais polarizantes — você vai amar ou odiar, raramente algo no meio. Se você gosta de cinema autoral que prioriza atmosfera sobre enredo, vale. Se não, a crítica negativa provavelmente reflete o que você também sentiria.

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