Mateus Tavares
Euphoria cancelada: sem 4ª temporada — o que aconteceu e o legado da série
Cultura / Curiosidade

Euphoria cancelada: sem 4ª temporada — o que aconteceu e o legado da série

A HBO confirmou o encerramento após a 3ª temporada. Sam Levinson explicou o motivo, Zendaya reagiu — e a análise do que Euphoria deixa para a TV.

Atualizado em 9 de junho de 2026

Euphoria cancelada: sem 4ª temporada — o que aconteceu e o legado da série
HBO / HBO Max
# Euphoria cancelada: sem 4ª temporada — o que aconteceu e o legado da série A notícia saiu hoje. Sam Levinson anunciou no Popcast, o podcast de música do New York Times, que Euphoria está oficialmente encerrada após a terceira temporada. A HBO confirmou o anúncio para a Variety. O episódio final, intitulado "In God We Trust", que foi ao ar neste domingo — o oitavo da terceira temporada — era, na verdade, o último episódio da série. No total: três temporadas, 26 episódios e quase sete anos de produção. É um encerramento que não surpreende completamente — os sinais estavam lá — mas que ainda assim pede um momento de análise sobre o que Euphoria foi, o que se tornou e por que terminou assim. --- ## A trajetória que chegou aqui Euphoria estreou em junho de 2019 e fez algo que poucas séries conseguem: definiu um momento cultural de imediato. Não foi só pelo conteúdo — embora a estética neon, a franqueza sobre drogas e sexo e a direção de Sam Levinson fossem deliberadamente provocativas. Foi porque a série tocou em algo real sobre como uma geração específica vivia a adolescência. A primeira temporada foi unanimidade. A segunda, em 2022, foi mais divisiva mas ainda manteve o público apaixonado — as performances de Zendaya continuavam sendo excepcional, e o nível de produção não havia cedido. E então vieram os quatro anos de silêncio. As razões foram múltiplas: a greve dos roteiristas de Hollywood, a morte trágica de Angus Cloud, conflitos de agenda de um elenco que se tornou o mais requisitado do entretenimento americano, e um Sam Levinson que passou esse período produzindo The Idol — que foi um fracasso crítico significativo — enquanto tentava encontrar direção para a terceira temporada. Quando a T3 finalmente chegou em abril de 2026, era uma série diferente. Não só pela escolha óbvia de sair do ambiente escolar — Casey Bloys, executivo da HBO, tinha indicado que Levinson "não queria mais que a série se passasse no colégio" — mas por algo mais difícil de nomear. Um senso de que a série havia perdido a clareza sobre o que queria dizer. --- ## O que as críticas disseram sobre a T3 A terceira temporada recebeu uma das recepções mais fragmentadas que uma série da HBO teve em anos recente. Os críticos que elogiaram destacaram as ambições de Levinson e as performances individuais — Zendaya, em particular, sendo apontada como consistentemente excelente mesmo quando o material ao redor vacilava. Os que criticaram foram mais incisivos. O Screen Rant escreveu que sem a ambientação no colégio, a série ficou dependente apenas dos personagens — e isso tornou mais evidente que Levinson talvez não os compreendesse bem desde o início. O IndieWire foi mais duro: "a série de Sam Levinson nunca foi tão espiritualmente vazia". O New York Post apontou falta de coerência narrativa e consistência de personagens. O RogerEbert.com encontrou um meio-termo: "há momentos e performances que brilham com aquela energia da série em seu auge, mas Euphoria em 2026 parece mais incerta do que nunca sobre o que está tentando dizer." Esse é o retrato de uma série que chegou ao final sem o mesmo foco que a tornou relevante. --- ## O que o encerramento representa Não é um cancelamento forçado no sentido tradicional — a HBO não derrubou a série contra a vontade de Levinson. É um encerramento acordado, com o criador fazendo o anúncio publicamente antes da confirmação do estúdio. Isso importa porque diz algo sobre o estado das coisas por trás das câmeras. Quando um showrunner anuncia o fim da própria série num podcast antes que o estúdio se comunique formalmente, geralmente é sinal de que a decisão foi tomada em conjunto, mas que havia motivações de ambos os lados para encerrar. A HBO investiu pesadamente em Euphoria — em produção, em marketing, em manter o elenco juntos por anos de adiamentos. A série entregou audiência. Mas os quatro anos de hiato, a recepção mista da T3 e a agenda impossível de um elenco com carreiras cinematográficas crescentes tornavam uma quarta temporada uma equação cada vez mais difícil de resolver. Do lado de Levinson, The Idol foi um divisor de águas reputacional. Voltar para Euphoria com todo aquele peso e entregar uma terceira temporada que não recuperou completamente o que a série havia perdido deve ter sido exaustivo de uma forma que torna o encerramento compreensível. --- ## O que Euphoria deixa Independentemente de como a terceira temporada será avaliada pelo tempo, o legado das duas primeiras é real e documentado. Euphoria mudou o visual do drama adolescente na televisão — a paleta de cores, a abordagem da cinematografia, o uso de composição musical não-convencional foram copiados por séries que vieram depois. Qualquer drama jovem adulto produzido após 2019 existe numa relação de diálogo ou contradição com o que Levinson estabeleceu. A série produziu carreiras. Zendaya tem dois Emmys pela série e é agora uma das atrizes mais importantes de Hollywood. Jacob Elordi, Sydney Sweeney, Maude Apatow — todos construíram o núcleo de suas trajetórias a partir da visibilidade que Euphoria deu. E a série falou sobre coisas que a televisão americana raramente toca com essa combinação de franqueza e estética: dependência química em adolescentes, sexualidade, trauma, a relação entre redes sociais e autoestima. Fez isso de formas imperfeitas às vezes, com exageros que geraram críticas legítimas — mas fez. --- ## A pergunta que o encerramento deixa aberta Euphoria teria sido melhor se tivesse terminado na segunda temporada? É uma questão que vai continuar sendo debatida. A T2, apesar das divisões, encerrou com força suficiente para funcionar como conclusão. A T3 abriu novo território sem resolver completamente o que encontrou lá. Mas é possível que o encerramento agora, com o episódio "In God We Trust", ofereça exatamente o que a série precisava desde que saiu do colégio: um fechamento para personagens que cresceram além do espaço que os criou. Rue Bennett, Jules, Cassie, Nate — todos eles começaram como retratos de algo específico sobre adolescer num mundo de pressões impossíveis. Como adultos jovens, com o peso de quem são e do que viveram, a série teve a chance de mostrar o que acontece depois. Se conseguiu — ou não — é o debate que vai durar. --- ## Onde assistir **HBO Max** — todas as três temporadas disponíveis. A série completa, do piloto ao episódio final "In God We Trust", está na plataforma.
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