Devil May Cry T2: Vergil chegou — e roubou a série do próprio Dante
8 episódios, Studio Mir, 100% no Rotten Tomatoes na estreia e T3 já confirmada. A segunda temporada de Devil May Cry é mais ambiciosa — mas tem um problema chamado Vergil que é irresistível.
Atualizado em 30 de maio de 2026
A primeira temporada de Devil May Cry foi um fenômeno relutante. Adi Shankar tomou liberdades consideráveis com o material dos jogos, criou uma versão de Dante que dividiu a fandom e ainda assim entregou a adaptação de videogame mais assistida da Netflix em sua semana de estreia — 5,3 milhões de visualizações nos primeiros três dias e 96% de aprovação no Rotten Tomatoes.
A segunda temporada chegou em 12 de maio com um trunfo que a primeira não tinha: Vergil.
O irmão gêmeo de Dante é o personagem mais amado dos jogos, o antagonista mais carismático da franquia e a presença que os fãs mais pediam desde que a série foi anunciada. Ele chegou. E sim, roubou a temporada do próprio protagonista.
O que aconteceu na T1 — recapitulação rápida
A primeira temporada estabeleceu um universo onde Dante opera como caçador de demônios enquanto uma guerra crescente entre o mundo humano e o reino Makaian se intensifica. Lady — aqui reposicionada como soldada do governo americano chamada Mary — enxerga o sangue de Sparda como uma ameaça e acaba traindo Dante, que é congelado nas instalações da DARKCOM no final da temporada.
A T2 começa com Dante se libertando dessa prisão num momento em que a guerra entre mundos volta a ganhar intensidade — e coincide com o retorno de alguém que ele não esperava enfrentar tão cedo.
Do que trata a T2
A temporada tem dois conflitos simultâneos que se alimentam um do outro.
O conflito externo: Arius — o vilão do esquecido Devil May Cry 2 de 2003, tratado por boa parte da comunidade como o pior título da franquia — volta aqui completamente reinventado. Na adaptação de Shankar, ele é um antagonista corporativo e manipulador, motor de uma trama de guerra fria entre humanos e Makaians que eleva a escala política da série para além do que a T1 alcançou.
O conflito pessoal: Vergil retorna. A guerra entre mundos ganha uma dimensão íntima quando Dante precisa confrontar o único que tem poder equiparado ao seu — seu irmão gêmeo afastado.
A combinação dos dois conflitos é onde a temporada funciona melhor: a trama de Arius cria um palco político complexo, e Vergil entra nesse palco como força desestabilizadora de motivações que a série tem cuidado em construir com ambiguidade.
O que funciona excepcionalmente bem
Vergil.
Não há muito mais o que dizer além disso. Vergil é dublado por Robbie Daymond e a performance é exatamente o que os fãs esperavam: contido, calculado, com uma frieza que comunica mais do que qualquer monólogo explicaria. A rivalidade entre Dante e Vergil é o coração emocional dos jogos mais amados da franquia — especialmente DMC3 — e Shankar encontra um ângulo próprio pra esse conflito sem ignorar o peso que ele tem na mitologia.
Arius como o melhor vilão da série.
O maior problema da temporada é estrutural — mas Arius é o melhor antagonista que a série já apresentou. Reinventá-lo como um manipulador corporativo em vez de um demônio cartunesco foi a decisão criativa mais acertada da temporada. Ele tem motivações compreensíveis, um plano com lógica interna e presença de cena que sustenta qualquer episódio onde aparece.
A animação do Studio Mir.
A animação da T2 é mais elegante que a da primeira temporada — e a T1 já era impressionante. O Studio Mir, responsável por The Legend of Korra e Voltron: Legendary Defender, elevou a fluidez das cenas de ação e o design dos ambientes Makaians para um nível que poucos animes ocidentais alcançaram. As sequências de combate têm peso e ritmo — você sente cada impacto.
A T3 já está confirmada.
A Netflix renovou Devil May Cry para uma terceira temporada antes mesmo da estreia da segunda — um sinal claro de confiança da plataforma no projeto. A série claramente tem um plano de múltiplos arcos, à imagem do que Castlevania foi para a Netflix em outra época.
O que divide opiniões — e a crítica mais honesta
Adi Shankar acertou em quase tudo que cerca Dante, e errou justamente em Dante. Essa frase de uma crítica brasileira resume o principal ponto de tensão da temporada.
A versão de Dante que Shankar construiu tem carisma, tem estilo, tem a irreverência característica do personagem. Mas fãs mais apegados aos jogos sentem que algo essencial se perdeu na tradução — uma profundidade emocional que DMC3 e DMC5 entregavam e que a série ainda não conseguiu replicar com a mesma intensidade.
A ironia é que Vergil funciona tão bem exatamente porque a série o tratou com o mesmo cuidado que os jogos trataram — ambiguidade moral, motivações genuínas, peso no passado compartilhado com Dante. Quando os dois estão em cena juntos, você entende o que a série pode ser quando acerta.
Precisa conhecer os jogos para assistir?
Não. A série foi construída para ser acessível tanto para fãs quanto para novatos — o universo é apresentado com contexto suficiente para qualquer espectador. Mas quem conhece os jogos vai reconhecer referências que aumentam o prazer de assistir.
Para quem é essa série?
Para fãs dos jogos: vale com ressalvas. Shankar toma liberdades que vão incomodar dependendo de quanto você está apegado às versões canônicas dos personagens. Mas Vergil e Arius são bons o suficiente para justificar a temporada.
Para quem não conhece DMC: é uma das melhores animações de ação do streaming. Ponto de entrada acessível, visual impressionante, ação de alto nível. Comece pela T1 — são 8 episódios de ~30 minutos, uma tarde tranquila.
Para fãs de Castlevania: Shankar entrega a mesma sensação de animação adulta com mitologia densa e personagens moralmente complexos. A comparação é inevitável e, na maior parte, favorável.
Onde assistir
Netflix — T1 e T2 completas, com dublagem em português. Todos os 8 episódios da T2 foram disponibilizados simultaneamente em 12 de maio de 2026.
Cada episódio tem aproximadamente 30 minutos — a temporada completa cabe em menos de 4 horas.



