Depois Daquele Ano: o Prime Video acertou na adaptação que o BookTok esperava
Depois Daquele Ano chegou ao Prime Video com 8 episódios. A adaptação do best-seller de Carley Fortune não reinventa o gênero — mas entrega. Nota 7/10.

Depois Daquele Ano chegou ao Prime Video em 10 de junho com oito episódios disponíveis de uma vez — e em três dias já estava entre os mais assistidos da plataforma no Brasil. Isso não é coincidência: o livro original de Carley Fortune virou fenômeno no BookTok em 2022, acumulou milhões de visualizações e entrou nas listas de mais vendidos de vários países. A base de fãs existia. A série precisava não estragar.
Não estragou.
A ficha técnica
| Nota | 7/10 |
| Plataforma | Prime Video |
| Baseada em | Every Summer After — Carley Fortune |
| Showrunner | Amy B. Harris |
| Direção | Tara Nicole Weyr, Jeffrey W. Byrd, Gillian Robespierre |
| Elenco | Sadie Soverall, Matt Cornett, Michael Bradway, Abigail Cowen |
| Episódios | 8 (todos disponíveis desde 10/06) |
| Duração por episódio | ~45 minutos |
A história
Persephone "Percy" Fraser passa seis verões em Barry's Bay — uma cidadezinha à beira de lago no Canadá — e nesses seis verões constrói com Sam Florek uma das amizades mais intensas da vida, que inevitavelmente vira amor e inevitavelmente implode de um jeito que os dois carregam por uma década.
Uma tragédia força Percy a voltar a Barry's Bay. Sam ainda está lá. As memórias dos seis verões chegam em flashbacks que a série intercala com o presente — e a estrutura funciona porque o passado e o presente têm peso equivalente. Não é flashback de preenchimento. É a história em si.
O que funciona
A estrutura temporal é o maior acerto da adaptação. Em vez de contar linearmente — seis verões e depois o reencontro — a série embaralha passado e presente de um jeito que cada episódio revela uma camada nova de por que esses dois falharam um com o outro. Você vai para o próximo episódio não só para saber o que vai acontecer, mas para entender o que já aconteceu. É uma escolha narrativa simples que eleva uma história que no papel poderia ser genérica.
O elenco de suporte rouba cenas com frequência. Charlie Florek — irmão mais velho de Sam, interpretado por Michael Bradway — é o personagem mais interessante da série e constrói com Sam uma rivalidade fraterna que em vários momentos é mais engajante do que o romance central. Delilah (Abigail Cowen) foge do clichê de antagonista feminina. Chantal (Aurora Perrineau) tem um arco próprio sobre esgotamento que a série trata com seriedade desproporcional ao espaço que ocupa — e isso é elogio.
Barry's Bay como personagem. A cidade à beira de lago é fotografada de um jeito que justifica o porquê de Percy nunca ter conseguido esquecer completamente aquele lugar. Quando a série para para mostrar a água, a luz da tarde, os trapiches — funciona como argumento narrativo, não só como estética.
O que não funciona
O romance central, paradoxalmente, é o ponto mais irregular. Sadie Soverall e Matt Cornett têm química nos momentos de tensão e de desentendimento — mas nos momentos de declaração e aproximação, a série escorrega para o melodrama mais previsível. As falas ficam mais escritas, a trilha empurra mais, e o que funcionava por contenção vira excesso.
Há cliffhangers entre episódios que existem mais para garantir o próximo play do que para servir a história. Num formato de lançamento simultâneo — todos os oito episódios de uma vez — esse recurso perde o sentido: ninguém vai parar no cliffhanger do episódio 4 quando o 5 está a um clique de distância.
Para quem é
Para quem leu o livro de Carley Fortune e quer ver Percy e Sam na tela — a adaptação é fiel ao espírito da história sem ser escravo da letra. Para quem gosta de romances com estrutura não-linear e não precisa de ação para se engajar. Para quem maratonou Off Campus ou O Verão Que Mudou Minha Vida no Prime e quer o próximo do gênero.
Para quem não é fã de romance: Depois Daquele Ano tem mais peso emocional do que parece na premissa — especialmente nos arcos secundários. Mas a história principal é romance de segunda chance sem pretensão de ser outra coisa. Se isso não funciona para você, não vai funcionar aqui.
Vai ter segunda temporada?
Não confirmado ainda — mas a showrunner Amy B. Harris já disse à Entertainment Weekly que enxerga a série com potencial para até cinco temporadas, adaptando outros livros de Carley Fortune ambientados em Barry's Bay. O final da T1 deixa pistas claras sobre o próximo arco, envolvendo Charlie e uma fotógrafa chamada Alice. Os números das primeiras semanas vão definir se o Prime Video confirma ou não.
Dá pra registrar Depois Daquele Ano e deixar sua nota no Relicário — e encontrar quem também tem sentimentos complicados sobre o episódio 6.
Perguntas frequentes
Precisa ter lido o livro para entender a série?
Não. A adaptação é completamente autossuficiente — a estrutura não-linear apresenta tudo que o espectador precisa saber sem pressupor familiaridade com o material original. Leitores do livro vão notar diferenças no título e em alguns detalhes de enredo, mas a essência foi preservada.
Quantos episódios tem e quanto tempo leva para maratonar?
Oito episódios de cerca de 45 minutos cada. São aproximadamente seis horas — dá para terminar em um dia tranquilo ou em um fim de semana sem pressa.
É parecida com Off Campus?
Tem o mesmo DNA — romance de segunda chance baseado em livro popular, protagonistas com história compartilhada que precisam resolver o passado para avançar. Depois Daquele Ano é mais melancólica e menos leve que Off Campus, com mais peso nos personagens secundários.



