Mateus Tavares
Backrooms: o garoto de 20 anos do YouTube que fez o maior filme da história da A24
Cultura / Curiosidade

Backrooms: o garoto de 20 anos do YouTube que fez o maior filme da história da A24

US$ 81 mi no primeiro fim de semana. Backrooms, dirigido por Kane Parsons (20 anos), quebrou todos os recordes de bilheteria da A24 em 2026.

Em março de 2019, uma foto anônima foi postada num fórum do 4chan com uma legenda simples: "Se você não tiver cuidado e 'noclip' fora da realidade nos lugares errados, você vai terminar no Backrooms."

A imagem mostrava um corredor com carpete amarelo mal-conservado, paredes de painéis de escritório, luz fluorescente e nenhum ser humano à vista. Era uma foto de um escritório abandonado num ângulo específico — mas a legenda criou algo que a internet colaborativa transformou num dos maiores universos de ficção de horror dos últimos anos.

Sete anos depois, essa foto valeu US$ 81 milhões no primeiro fim de semana nos cinemas americanos.

Os números que reescreveram a história da A24

Backrooms estreou nos EUA em 6 de junho de 2026 com os seguintes números:

  • US$ 81 milhões no primeiro fim de semana — quase o dobro das projeções mais otimistas de US$ 40-50 milhões
  • US$ 100 milhões alcançados em apenas 6 dias de exibição
  • Maior bilheteria de abertura da história da A24 — superando Everything Everywhere All at Once (US$ 6,2 mi), Hereditary (US$ 13,5 mi) e Midsommar (US$ 6,9 mi)
  • Orçamento: US$ 10 milhões — recuperado múltiplas vezes antes do segundo fim de semana

Para contextualizar: a A24 é conhecida por filmes de prestígio com aberturas modestas que crescem por boca a boca. Backrooms não cresceu — explodiu na primeira semana num modelo que a distribuidora nunca havia experimentado antes.

Quem é Kane Parsons

Kane Parsons tinha 20 anos quando Backrooms chegou aos cinemas.

O nome pode não ser familiar, mas o canal de YouTube é: @kaneparsons, criador de uma série de vídeos de found footage sobre o universo Backrooms que acumula dezenas de milhões de visualizações. Parsons começou a criar conteúdo sobre o lore de Backrooms quando era adolescente — e a qualidade do trabalho chamou atenção de produtores de Hollywood.

A A24 entrou em contato. Parsons foi contratado para dirigir o filme com orçamento de US$ 10 milhões e total liberdade criativa dentro desse limite. O resultado: Parsons se tornou o diretor mais jovem a liderar o #1 nas bilheterias dos EUA — quebrando um recorde que estava há décadas sem ser ameaçado.

O que é Backrooms — para quem não conhece o universo

Backrooms é um fenômeno de horror colaborativo nascido na internet. A premissa original: existe uma dimensão paralela acessível por "noclipping" fora da realidade — passando por paredes do mundo normal de formas que a física não deveria permitir. Quem cai nos Backrooms encontra um labirinto infinito de corredores de escritório com carpete amarelo, um cheiro específico de tapete molhado e luz fluorescente que nunca apaga.

A partir dessa premissa simples, a comunidade construiu um universo inteiro: diferentes "níveis" dos Backrooms com regras e criaturas próprias, relatos de sobreviventes, mapas dos andares conhecidos, hierarquias de ameaças. É worldbuilding colaborativo puro — criado por milhares de pessoas ao longo de anos sem nenhuma autoridade central.

Por que funcionou onde outras adaptações falharam

O diretor é da comunidade. Parsons não foi contratado para adaptar algo que não entendia — foi convidado precisamente porque ajudou a construir o universo. O filme não é uma interpretação externa do lore. É uma extensão do mesmo criativo que o lore sempre teve.

A A24 não tentou sanitizar. A distribuidora deu ao projeto o mesmo tratamento que dá a diretores estabelecidos — liberdade criativa dentro de um orçamento definido. Backrooms de US$ 10 milhões não tentou ser Backrooms de US$ 100 milhões.

O found footage foi preservado. A identidade visual dos vídeos do YouTube de Parsons — câmera instável, sem trilha, silêncios longos — está presente no filme. Quem conhecia o canal reconheceu imediatamente.

O que isso significa para a A24

A A24 construiu sua reputação em filmes com abertura pequena e crescimento por boca a boca. Backrooms quebrou esse modelo sem abandonar os princípios que definem a distribuidora: orçamento controlado, diretor com visão clara, liberdade criativa. Só que desta vez com uma audiência pré-existente de dezenas de milhões de pessoas que já conheciam o universo.

É um template que a A24 provavelmente vai explorar mais — propriedades de internet com fandoms estabelecidos, adaptadas por criadores que vieram de dentro desses fandoms.

O fenômeno que transformou uma foto num bilhão de dólares

Da foto anônima de 2019 ao recorde de bilheteria de 2026: Backrooms é a trajetória mais improvável do entretenimento contemporâneo. Uma imagem sem autor, num fórum anônimo, com uma legenda de três linhas — que se tornou um universo construído por milhares de pessoas, foi transformado em cinema por um garoto de 20 anos que começou fazendo vídeos no quarto, e gerou mais dinheiro no primeiro fim de semana do que qualquer outro filme da distribuidora independente mais influente de Hollywood na história.

A internet criou algo. Hollywood notou. E desta vez, em vez de tentar controlar o que encontrou, deixou quem criou continuar criando. Talvez seja isso que mudou.

Perguntas frequentes

Backrooms é baseado nos vídeos do YouTube?
Sim. Kane Parsons, o diretor, é criador de uma série de vídeos de found footage sobre o universo Backrooms no YouTube com dezenas de milhões de visualizações.

Precisa conhecer o lore de Backrooms para entender o filme?
Não. O filme foi construído para funcionar como thriller de horror independente para qualquer espectador. Conhecer o universo adiciona camadas, mas não é requisito.

Backrooms vai ter sequência?
A A24 não confirmou oficialmente. Com US$ 100 milhões em 6 dias e orçamento de US$ 10 milhões, a pergunta não é se vai ter sequência — é quando será anunciada.

Backrooms está no Brasil?
Sim. Estreou nos cinemas brasileiros em 11 de junho de 2026.

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