Mateus Tavares
Agents of the Four Seasons: onze episódios depois, o que a Wit Studio construiu — e o que o final precisa entregar
Review / Vale a pena?

Agents of the Four Seasons: onze episódios depois, o que a Wit Studio construiu — e o que o final precisa entregar

Agents of the Four Seasons: Dance of Spring chega ao final em 27 de junho. A Wit Studio fez um dos animes mais bonitos do ano — e o mais melodramático.

Agents of the Four Seasons: onze episódios depois, o que a Wit Studio construiu — e o que o final precisa entregar
Wit Studio

Agents of the Four Seasons: Dance of Spring tem três episódios restantes. O finale vai ao ar em 27 de junho no Crunchyroll — e com onze episódios já no ar, é possível dizer com clareza o que a série é, o que faz bem, onde tropeça, e o que precisa acontecer para que o arco de Hinagiku e Sakura feche com a dignidade que merece.

A resposta curta: é um dos animes mais bonitos do ano, com uma das melhores trilhas sonoras de 2026, carregando um peso emocional real — e um vício em melodrama que às vezes ameaça afundar exatamente o que tornou a história especial.

A ficha técnica

TítuloAgents of the Four Seasons: Dance of Spring (春夏秋冬代行者 春の舞)
EstúdioWit Studio
DireçãoKen Yamamoto
Série composiçãoAyumu Hisao
Trilha sonoraKensuke Ushio
Light novelKana Akatsuki (autora de Violet Evergarden)
Episódios14 (11 no ar, finale em 27 de junho)
Onde assistirCrunchyroll
Estreia29 de março de 2026

Do que se trata

Num mundo onde as estações do ano são mantidas por Agentes — seres divinos que literalmente incorporam cada estação — a Agente da Primavera, Hinagiku Kayo, desaparece. Sem ela, a primavera some. O mundo entra num inverno eterno que dura dez anos.

Quando Hinagiku retorna — quieta, marcada por uma década de ausência cujos detalhes a série revela em camadas — ela e sua guarda Sakura Himedaka precisam restaurar a primavera, enfrentar o passado e descobrir quem estava por trás do sequestro. A organização Kasei, responsável pelo rapto de Hinagiku, está agindo de novo — e no episódio 11, enquanto Hinagiku e Sakura aguardam a chegada do par do Inverno na Agência, o prédio é atacado.

É a setup para o arco final. E a tensão chegou no lugar certo.

O que a Wit Studio está fazendo de extraordinário

Kensuke Ushio na trilha sonora é o maior presente que essa série poderia ter recebido. O mesmo compositor de Chainsaw Man e A Silent Voice entrega aqui uma partitura que usa cordas e piano de um jeito que não empurra emoção — cria espaço para ela. Quando a série está em silêncio e deixa a música fazer o trabalho, é quando Agents of the Four Seasons funciona melhor.

A animação dos cenários de inverno é excepcional. A Wit Studio fez uma escolha deliberada de não usar o brilho saturado que caracterizou Violet Evergarden em Kyoto Animation — aqui os tons são mais planos, mais frios, mais honestos sobre o que um mundo sem primavera realmente pareceria. A transição visual quando a primavera volta — mesmo que brevemente — tem um impacto porque a série construiu pacientemente o contraste.

Hinagiku como personagem carrega uma dificuldade específica: ela tem uma forma de falar hesitante, quebrada, que vem de uma década de trauma. O anime não trata isso como afetação — trata como sintoma. É uma escolha delicada que poderia ter sido feita de forma condescendente e não foi.

Onde a série tropeça

A ANN disse no episódio 8 o que precisava ser dito, então vou dizer também: Agents of the Four Seasons tem um problema sério com flashbacks repetitivos e melodrama que pede demais do espectador.

Kana Akatsuki é a autora de Violet Evergarden — e assim como lá, existe aqui uma tendência de expressar dor no volume máximo possível, repetidamente, como se o espectador precisasse ser lembrado a cada episódio de quanto os personagens sofreram. Depois de onze episódios, a série já mostrou o trauma de Hinagiku de ângulos suficientes para que o peso esteja estabelecido. Repetir não aprofunda — dilui.

Os personagens secundários do arco — especialmente os Agentes do Verão e do Outono — recebem desenvolvimento insuficiente para o tempo de tela que ocupam. O rapto de Nadeshiko, a Agente do Outono, que catalisa a segunda metade da série, teria mais impacto se ela tivesse existido mais completamente nos episódios anteriores.

A série também oscila entre ritmo contemplativo — que funciona — e urgência de trama — que aparece de forma irregular. O episódio 11, com o ataque à Agência, é o ponto em que as duas coisas finalmente se alinham. Deveria ter acontecido antes.

O que o final precisa entregar

Três episódios. Misuzu Henderson, a líder da Kasei confirmada como culpada no episódio 11, precisa de uma confrontação que esteja à altura do que a série construiu sobre consequência e trauma. Hinagiku e Sakura precisam de uma resolução que não dependa de mais um flashback para funcionar emocionalmente — precisa viver no presente.

E o arco de Sakura — a guarda que passou dez anos procurando Hinagiku, que carrega culpa e amor e raiva em proporções que a série ainda não resolveu completamente — merece uma cena final que seja só dela. Não como apêndice da jornada de Hinagiku. Como personagem própria.

Se a Wit Studio e Ken Yamamoto entregarem esses três elementos, Agents of the Four Seasons termina como um dos animes mais completos da temporada da primavera de 2026. Se o finale depender do melodrama que assombrou os episódios do meio, vai ser uma oportunidade desperdiçada.

A expectativa é alta. O material está lá. Falta executar.

Para quem é

Para quem curtiu Violet Evergarden e estava esperando algo com a mesma assinatura emocional — mas com uma narrativa mais focada em duas personagens específicas e uma fantasia mais contida. Para quem aguenta anime que prioriza sentimento sobre ação e não se importa de sentar com os personagens por um tempo antes que as coisas aconteçam.

Não é para quem precisa de ritmo acelerado desde o episódio 1. E definitivamente não é para quem tem baixa tolerância a personagens que choram muito — porque elas choram, e choram bastante.

Dá pra registrar e acompanhar semana a semana no Relicário — e discutir o finale com quem já chegou lá no dia 27.

Perguntas frequentes

Precisa ter lido o light novel para acompanhar?

Não. A adaptação da Wit Studio é autossuficiente — o anime cobre o arco Dance of Spring de forma completa, sem pressupor conhecimento do material original. Leitores do light novel vão notar adaptações e cortes, mas não há nada perdido para quem só assistiu.

É parecido com Violet Evergarden?

No DNA emocional, sim. Mesma autora, mesma tendência a tratar trauma com peso máximo, mesma ênfase em relações entre duas pessoas como centro da história. Visualmente são diferentes — o estilo da Wit Studio aqui é mais plano e menos saturado que o trabalho da Kyoto Animation em Violet Evergarden.

Vai ter segunda temporada?

Não confirmado. O light novel tem oito volumes e o anime adapta o primeiro arco (Dance of Spring). Se a recepção justificar, há material para pelo menos mais dois arcos. Mas por enquanto, nada oficial.

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