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The Last of Us T2: a série voltou ainda melhor? Review completo

7 episódios, 93% no Rotten Tomatoes. Review completo de The Last of Us temporada 2 — o que funciona, a ressalva importante e o que esperar da T3.

The Last of Us T2: a série voltou ainda melhor? Review completo
HBO

A primeira temporada de The Last of Us fez algo difícil: convenceu fãs do jogo de que a adaptação era digna e convenceu quem nunca tinha jogado de que tinha perdido uma das melhores histórias da última década. A segunda temporada herdou essa responsabilidade com uma carga ainda maior — porque The Last of Us Part II é um dos jogos mais divisivos já feitos, amado e odiado em proporções iguais.

O resultado? Sete episódios que estão entre os melhores que a televisão produziu em 2025 — com uma ressalva importante que você precisa saber antes de assistir.

O contexto rápido para quem não jogou

A segunda temporada se passa cinco anos após os eventos da primeira. Joel e Ellie estão vivendo em Jackson, Wyoming — uma comunidade organizada, com economia própria e alguma semelhança com o mundo de antes. Ellie tem 19 anos, está num relacionamento com Dina, e a vida parece mais estável do que qualquer coisa que o universo da série costuma permitir.

O passado, claro, não fica parado por muito tempo.

Se você não assistiu a primeira temporada ainda, pare aqui e vá assistir. The Last of Us T2 não explica o que aconteceu antes — assume que você sabe, e o impacto de boa parte do que acontece depende diretamente desse conhecimento.

O que muda nessa temporada

O elenco se expande consideravelmente. Além do retorno de Pedro Pascal como Joel, Bella Ramsey como Ellie e Gabriel Luna como Tommy, a T2 apresenta:

Kaitlyn Dever como Abby — a adição mais importante e mais aguardada. Abby é uma personagem central cujo papel vai ficando cada vez mais claro ao longo da temporada. Dever foi a escolha certa.

Isabela Merced como Dina — namorada de Ellie, presente em boa parte dos episódios. Merced traz leveza e calor humano para uma temporada que vai ficando progressivamente mais sombria.

Young Mazino como Jesse — ex-namorado de Dina e amigo do grupo. Mazino foi uma revelação em "Treta" e confirma aqui que não foi sorte. Catherine O'Hara e Jeffrey Wright também aparecem em papéis que não vou detalhar para não tirar o impacto.

A história é estruturalmente diferente da T1. A primeira temporada tinha a lógica da jornada — Joel e Ellie atravessando o país, episódio a episódio, com paradas que funcionavam quase como histórias autônomas. A T2 troca isso por uma construção mais concentrada geograficamente, com foco intenso em um período específico. Menos movimento, mais peso emocional acumulado.

Os esporos voltaram. Na T1, uma decisão criativa controversa eliminou os esporos do jogo — os infectados transmitiam o fungo por mordida, não por via aérea. Na T2 eles voltam, e a produção deixa claro que há uma razão dramática para isso. A cena que marca o retorno dos esporos é uma das mais impactantes da temporada.

O que funciona excepcionalmente bem

Bella Ramsey. A Ellie da T2 é mais velha, mais ferida e mais complicada que a da T1 — e Ramsey carrega tudo isso com uma precisão que impressiona. Há cenas nessa temporada que exigem uma amplitude emocional enorme, e ela entrega em cada uma. Se a T1 deixou alguma dúvida sobre o casting, a T2 encerra.

O episódio que vai te deixar sem chão. Sem revelar qual é: há um episódio nessa temporada que é discutido como um dos melhores da televisão de 2025 — não só por impacto emocional, mas por construção, direção e o que significa para a história. A crítica internacional foi unânime. Você vai saber qual é quando chegar.

A produção continua no mais alto nível. Visualmente, The Last of Us T2 é o que você espera de HBO: cenários construídos com cuidado, infectados que equilibram horror e tragédia, e uma paleta que muda conforme a história vai ficando mais densa. O episódio dirigido por Mark Mylod — responsável por episódios memoráveis de Succession e Game of Thrones — tem uma sequência de ação que rivaliza com qualquer coisa que a série já fez.

A fidelidade ao jogo onde importa. Craig Mazin e Neil Druckmann (co-criador dos jogos) fizeram escolhas cirúrgicas na adaptação — mudaram alguns detalhes estruturais, especialmente na introdução de Abby, mas mantiveram os momentos que definem a história. Quem jogou vai reconhecer o que foi preservado. Quem não jogou vai entender por que o jogo é tão memorável.

A ressalva importante

A T2 cobre apenas metade de The Last of Us Part II.

Isso não é especulação — os próprios criadores confirmaram que a adaptação do segundo jogo será dividida em mais de uma temporada. São 7 episódios que terminam num ponto específico da história, com vários fios abertos e a sensação clara de que você assistiu a primeira metade de algo maior.

Para quem não conhece o jogo, isso pode gerar frustração genuína: a temporada termina sem resolução de arcos importantes. É uma escolha legítima — esticar o material para não comprometer a qualidade faz sentido criativo. Mas é justo saber antes de assistir que você está entrando na primeira parte de uma história, não numa história com começo, meio e fim próprios.

A T3 está confirmada e já estava em desenvolvimento quando a T2 foi ao ar.

Vale a pena mesmo assim?

Sim. Com convicção.

The Last of Us T2 tem alguns dos melhores episódios que a televisão produziu nos últimos anos. A atuação de Bella Ramsey justifica a série sozinha, e o peso emocional que a temporada constrói ao longo dos 7 episódios é o tipo de coisa que fica por dias.

A sensação de incompletude é real — mas é a incompletude de um livro que termina num cliffhanger, não a de uma história mal contada. O que está aqui é excelente. O que falta vai estar na próxima temporada.

Onde assistir

Max (HBO Max) — exclusivo no Brasil, com todos os 7 episódios disponíveis. A T1 também está na plataforma caso você precise recuperar antes de começar.

Episódios: 7 | Estreia: 13 de abril de 2025 | T3: confirmada

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Sobre o autor

Mateus Tavares

Processando o episódio 4 desde que foi ao ar. Vai demorar.

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