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Review / Vale a pena?

The Boroughs Netflix review: os criadores de Stranger Things voltaram com aposentados salvando o mundo

Os Duffer Brothers produziram. Alfred Molina protagoniza. The Boroughs é uma das premissas mais originais do streaming em 2026.

The Boroughs Netflix review: os criadores de Stranger Things voltaram com aposentados salvando o mundo
Netflix / Upside Down Pictures

A Upside Down Pictures — a produtora dos Irmãos Duffer criada depois de Stranger Things — tinha uma tarefa difícil: mostrar que conseguia produzir algo que não fosse simplesmente "Stranger Things, mas diferente".

The Boroughs, que estreou na Netflix em 21 de maio de 2026, responde bem a esse desafio. Não é perfeita — o roteiro às vezes fica aquém do que o elenco merece — mas é uma das premissas mais originais que o streaming produziu esse ano. E tem Alfred Molina brigando contra monstros de aranha num condomínio de aposentados no deserto do Novo México, o que por si só já justifica a existência da série.

Do que se trata

The Boroughs se passa em "The Boroughs" — uma comunidade de aposentados aparentemente idílica no deserto do Novo México. As casas são cópias idênticas umas das outras, tudo é em tons pastéis, o pessoal que cuida do lugar parece doutrinado de um jeito levemente perturbador, e há um campo de golfe. Dois, na verdade.

O começo parece The Truman Show — aquela sensação de que algo está errado num lugar perfeito demais. E está.

Os monstros que habitam o deserto ao redor são aracnídeos sobrenaturais que se alimentam de fluido cerebral humano — e, no processo, produzem um soro com propriedades antienvelhecimento que caiu nas mãos das pessoas erradas. Sam Cooper (Alfred Molina), um ex-engenheiro ranzinza no luto pela esposa, começa a perceber que algo está muito errado. Junto com Judy (Alfre Woodard), Wally (Denis O'Hare), Art (Clarke Peters) e Renee (Geena Davis), ele precisa descobrir o que está acontecendo — e o que fazer a respeito.

É Stranger Things com andadores em vez de bicicletas. Mas é mais do que isso.

Quem está por trás

Jeffrey Addiss e Will Matthews criaram a série — o mesmo duo responsável por The Dark Crystal: Age of Resistance, a série da Netflix de 2019 que foi cancelada cedo demais e continua sendo um dos projetos mais artisticamente ambiciosos que o streaming produziu. Eles sabem construir mundos com regras internas coerentes e criaturas que têm lógica própria.

Os Irmãos Duffer produzem executivamente pela Upside Down Pictures. A influência é visível — a trilha sonora, a fonte dos créditos e até o design das criaturas carregam uma familiaridade com o universo Stranger Things. Mas The Boroughs tem mais DNA de Joe Dante e Robert Zemeckis do que do Spielberg que inspirou os Duffers. É mais A Vizinhança e Gremlins do que IT — a vibe dos filmes B de subúrbio dos anos 80, com toda a estranheza que isso implica.

O elenco é o coração da série

Alfred Molina como Sam é o destaque absoluto. O personagem começa ranzinza, fechado no luto — e Molina constrói a abertura emocional gradual de um jeito que nunca parece apressado. Há uma cena específica num episódio médio da temporada que justifica toda a existência do personagem. Quem lembrou do Doc Ock de Spider-Man 2 ao ver Molina combater ameaças sobrenaturais com a mesma intensidade vai entender o prazer.

Alfre Woodard como Judy é o segundo destaque — e também a vítima mais injustiçada do roteiro. O Metacritic menciona que o personagem dela vai de "melancólico para mais melancólico", e é uma crítica legítima. Woodard entrega mais do que o roteiro permite.

Denis O'Hare como Wally captura um homem que uma vez poderia ter sido um herói e que encontra, na velhice, uma segunda chance de ser. Geena Davis como Renee e Clarke Peters como Art completam o grupo com eficiência — personagens com histórias ricas mencionadas mas raramente mostradas, o que é uma das limitações narrativas que a crítica apontou.

O que funciona bem

A premissa de The Boroughs é genuinamente original. Há dezenas de séries de terror sobrenatural no streaming. Muito poucas colocam aposentados como protagonistas de ação — não como vítimas, não como personagens de suporte, mas como os heróis ativos da história. The Boroughs trata seus protagonistas com a seriedade que personagens mais jovens recebem automaticamente, e isso é mais raro do que deveria ser.

O tom está calibrado certo. The Boroughs favorece o coração sobre o horror — não vai te assustar, não é esse tipo de série. É uma aventura com elementos sobrenaturais, mais próxima do maravilhamento do que do medo. Para quem quer algo que misture mistério, emoção e um pouco de estranheza sem ser pesado demais, o equilíbrio funciona.

Os monstros têm lógica interna. Os criadores de The Dark Crystal não iam desperdiçar a oportunidade de criar criaturas com coerência própria. Os monstros de The Boroughs têm motivação, comportamento consistente e design que lembra o Spielberg da era Amblin — presente o suficiente para criar tensão, funcional o suficiente para não parecer aleatório.

O que poderia ser melhor

O roteiro não está à altura do elenco. É a crítica mais recorrente nos reviews internacionais, e é válida. Há momentos onde você sente que os atores estão fazendo trabalho pesado para dar peso a cenas que o texto não suporta completamente. Alfre Woodard em particular merecia mais — o arco de Judy tem potencial enorme que a temporada não explora completamente.

Os backstories são contados, não mostrados. Wally, Art, Judy e Renee têm histórias de vida ricas — você fica sabendo disso através de diálogo. Ver parte dessas histórias em cenas que constroem quem esses personagens foram antes do condomínio faria toda a diferença emocional.

Para quem é essa série?

The Boroughs funciona bem para quem gostou de Stranger Things mas quer algo com protagonistas adultos e um tom mais gentil. É também uma boa pedida para quem está procurando algo diferente do padrão de thriller/crime que domina o streaming — uma aventura sobrenatural com coração, humor e um elenco de veteranos que sabem exatamente o que estão fazendo.

Não é uma série que vai dominar a cultura pop como Stranger Things dominou. Mas é exatamente o tipo que você recomenda para alguém dizendo "quero algo bom mas não tão pesado". Todos os 8 episódios da primeira temporada estão disponíveis na Netflix.

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Sobre o autor

Mateus Tavares

Não esperava nada de The Boroughs. Acabou assistindo três episódios de uma vez.

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