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Shogun: por que a série samurai dominou 2024 e onde assistir

18 Emmys e um Globo de Ouro. Shogun dominou 2024 como nenhuma série antes. Review completo — o que faz ela ser tão especial e onde assistir no Brasil.

Shogun: por que a série samurai dominou 2024 e onde assistir
FX Networks / Disney+

Existe um tipo de série que aparece uma vez por geração e muda o padrão do que a televisão é capaz de fazer. Breaking Bad foi assim. Game of Thrones nos primeiros anos foi assim. Em 2024, Shogun foi assim.

Não é exagero. A série da FX ganhou 18 prêmios no Emmy 2024 — mais do que qualquer outra produção em uma única temporada na história da televisão. Foi a primeira série com diálogos majoritariamente em japonês a levar o prêmio de Melhor Série Dramática. E fez tudo isso contando uma história sobre o Japão do século XVII de um jeito que Hollywood raramente teve coragem de fazer.

Do que se trata

O ano é 1600. O Japão está à beira de uma guerra civil que vai definir o próximo século. Lord Yoshii Toranaga (Hiroyuki Sanada) é um dos cinco regentes que governam o país enquanto o herdeiro ao poder é ainda criança — e seus quatro rivais no Conselho de Regentes acabaram de se unir contra ele.

No meio dessa disputa política que parece um xadrez jogado com vidas humanas, aparece John Blackthorne (Cosmo Jarvis): um capitão inglês que naufragou no litoral japonês, não fala a língua, não entende as regras e carrega segredos sobre os jesuítas portugueses que Toranaga pode usar a seu favor.

Entre os dois está Lady Mariko (Anna Sawai): uma mulher de família desonrada que serve como intérprete e cujo papel vai crescendo até se tornar o coração emocional de toda a série.

Por que é diferente de tudo que veio antes

Shogun não é o primeiro filme ou série ambientado no Japão feudal produzido no Ocidente. O problema é que quase todos os anteriores contam a história pelo ponto de vista do estrangeiro que chega, se impressiona com a exoticidade local e eventualmente salva todo mundo.

Shogun faz o oposto.

Blackthorne é o protagonista no papel, mas a série nunca o trata como o homem mais importante da sala. Toranaga e Mariko são os personagens mais ricos, mais complexos e mais interessantes. A política japonesa — o sistema de honra, os códigos de conduta, os jogos de poder entre os lordes — é tratada com seriedade e profundidade, não como pano de fundo exótico.

A maioria dos diálogos é em japonês, sem tradução para o inglês dentro da narrativa. Você entende o que está acontecendo pelos gestos, pelo contexto, pelas reações dos personagens. E isso cria algo raro: a sensação de estar realmente dentro de uma outra cultura, não observando ela de fora.

O elenco que fez história

Hiroyuki Sanada como Toranaga é uma das melhores performances de ator da televisão nos últimos anos. Sanada, que também produziu a série, passou anos tentando fazer Hollywood contar histórias japonesas com autenticidade — e em Shogun ele finalmente teve o palco que merecia. O prêmio de Melhor Ator no Emmy 2024 foi unânime entre os críticos.

Anna Sawai como Mariko é ainda mais surpreendente. É um personagem que acumula camadas a cada episódio — dignidade, dor, determinação, contradição — e Sawai entrega tudo isso sem forçar nada. Melhor Atriz Dramática no Emmy, também merecidíssimo.

Cosmo Jarvis como Blackthorne tem o papel mais difícil: ser o personagem com quem o espectador ocidental se identifica inicialmente, mas sem nunca virar o centro da história. Ele consegue.

Os 18 Emmys e o que eles significam

Shogun não ganhou 18 Emmys por acidente ou pelo hype do momento. A produção é impecável em cada departamento.

A cinematografia recria o Japão feudal com uma atenção a detalhes que vai de figurinos a arquitetura, de iluminação natural a composição de planos. É o tipo de produção que você pausa pra olhar o cenário.

O roteiro é paciente — raramente explica o que pode mostrar, raramente mostra o que pode deixar subentendido. Exige atenção e devolve isso com cenas que ficam na memória.

A direção mantém um ritmo que parece lento nos primeiros dois episódios e vai ficando progressivamente impossível de largar. O episódio 9 especificamente é discutido até hoje como um dos melhores episódios de televisão de 2024.

A surpresa que ninguém esperava: tem segunda temporada

Shogun foi lançado como uma minissérie — história completa, sem previsão de continuação. O sucesso foi tão grande que a FX anunciou o desenvolvimento das temporadas 2 e 3 ainda em maio de 2024, com as gravações previstas para 2026.

Sanada, Cosmo Jarvis e boa parte do elenco original foram confirmados para retornar, com novos personagens entrando na segunda temporada. A história vai explorar novos conflitos no Japão do período.

Vale a pena assistir mesmo sem saber nada de história japonesa?

Sim — e talvez seja melhor assim.

Shogun funciona como entretenimento de primeira linha independente de qualquer conhecimento prévio. Você não precisa saber nada sobre o Japão do século XVII, sobre o período Sengoku ou sobre quem foi o verdadeiro Tokugawa Ieyasu para aproveitar a série do começo ao fim.

O que ajuda é atenção. Shogun recompensa quem está presente em cada cena — muito do que é dito está no que não é dito.

Onde assistir no Brasil

Shogun está disponível no Disney+ no Brasil, com todos os 10 episódios da primeira temporada disponíveis para streaming. A série está legendada em português e também dublada.

Se você tem Disney+, não tem desculpa. Se não tem, considere assinar só para essa série — ela é exatamente o tipo de produção que justifica um mês de assinatura.

Vale a pena?

Sem dúvida. Shogun é a série mais completa que 2024 produziu — e uma das melhores da última década em qualquer gênero. Se você gosta de drama histórico, política complexa, personagens ricos e produção impecável, essa série foi feita pra você.

O Japão feudal nunca foi tão bem contado na televisão ocidental. Provavelmente não será tão cedo de novo.

Em breve

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Sobre o autor

Mateus Tavares

Passou três dias pensando na cena final do episódio 9. Ainda pensa.

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