Resident Evil 2026: o Reboot Que Abandona Leon e Jill
Resident Evil filme 2026 estreia 17/09 nos cinemas. Zach Cregger cria história original em Raccoon City, sem Leon e sem Jill. Veja elenco e a polêmica.
Falta pouco mais de duas semanas pro novo Resident Evil chegar aos cinemas brasileiros, e ele é a adaptação mais arriscada que a franquia já tentou. Não porque o orçamento é grande, mas porque o diretor tomou duas decisões que dividiram a comunidade ao meio: a história é original, não adapta jogo nenhum, e nem Leon Kennedy nem Jill Valentine aparecem.
Se você achou isso uma heresia, calma. O raciocínio por trás é mais interessante do que parece.
Quando estreia o novo Resident Evil
O filme chega aos cinemas brasileiros em 17 de setembro de 2026, um dia antes da estreia americana, marcada pra 18 de setembro. A distribuição é da Columbia Pictures, do grupo Sony.
Do que se trata
Esqueça tudo que você viu nos filmes anteriores. Esse não é continuação da saga da Milla Jovovich nem sequência de Bem-Vindo a Raccoon City. É uma história inédita ambientada no universo criado pela Capcom.
O protagonista é Bryan, vivido por Austin Abrams, um entregador de suprimentos médicos. Ele aceita um serviço fora da rota habitual, pagando o dobro do valor normal, com destino ao hospital geral de Raccoon City, no meio de uma nevasca.
O que ele não sabe é que a cidade já está no meio de um desastre biológico. A partir daí, o filme é uma única noite de sobrevivência, com o rapaz cercado de infectados e criaturas mutantes, tentando simplesmente não morrer.
O diretor descreveu o personagem de um jeito que resume bem a proposta: um cara completamente despreparado pra sobreviver ao que vai enfrentar. A comparação que ele usou foi com o Frodo indo pra Mordor.
Por que não tem Leon nem Jill
Essa é a decisão mais contestada, e o argumento do Zach Cregger é direto: pra ele, tentar melhorar personagens que os jogos já constroem muito bem seria perda de tempo. Ele prefere contar uma história original que viva dentro daquele mundo, respeitando as regras que a Capcom estabeleceu, em vez de refazer o que já existe em versão pior.
A frase dele que melhor define o projeto: a intenção é se inclinar pro survival horror, não pro survival action. E é exatamente aí que mora a diferença com tudo que veio antes. Os filmes da Milla Jovovich renderam 1,2 bilhão de dólares, mas nenhum deles foi bem recebido por quem jogava, justamente porque trocaram o terror por coreografia de ação.
A polêmica do iPhone
Essa merece registro porque tomou conta das redes. O filme se passa em 2026, nos dias atuais, e num dos trailers o protagonista aparece com um iPhone na mão. Parte dos fãs reclamou, alegando que Raccoon City é dos anos 90 e que a ambientação moderna quebraria a atmosfera.
Cregger respondeu na San Diego Comic-Con deste ano: o filme se passa na neve, em 2026, e é por isso que o personagem tem um celular moderno. Ele assumiu ter tomado liberdades pra contar a história que queria contar.
Minha posição: a reclamação é compreensível, mas fraca. O que fazia Resident Evil funcionar nunca foi a década, foi a sensação de estar sozinho, sem munição suficiente, num corredor escuro. Um celular na mão pode até aumentar a angústia, porque adiciona a promessa de socorro que nunca chega. Se o filme usar bem, vira recurso e não defeito.
Quem está no elenco e na direção
- Austin Abrams como Bryan
- Zach Cherry, de Ruptura
- Kali Reis, de True Detective: Terra Noturna
- Paul Walter Hauser, de Cobra Kai
- Johnno Wilson
Na direção, Zach Cregger, de Bárbaro e A Hora do Mal, com roteiro dele em parceria com Shay Hatten (John Wick 3 e 4). O orçamento gira em torno de 80 milhões de dólares, e a produção reúne Constantin Film, Vertigo Entertainment e a PlayStation Productions, braço da Sony dedicado a adaptações de games.
Vou ser sincero sobre a expectativa
O que me deixa otimista: o Cregger é a escolha mais inteligente que essa franquia já fez pro cinema. Bárbaro é um exercício de tensão quase perfeito, construído em cima de arquitetura e escuridão, que é exatamente a linguagem de Resident Evil. E a fala dele sobre o ritmo, dizendo que as coisas começam a acontecer por volta dos cinco minutos e praticamente não param, sugere um filme que entendeu que a franquia é sobre pressão constante, não sobre construção lenta.
Tem ainda a definição mais honesta que ele deu do projeto: é um filme do Zach Cregger que por acaso é um filme de Resident Evil.
O que me preocupa: essa mesma frase. Um diretor autoral fazendo o filme que ele quer dentro de uma marca alheia pode dar um ótimo filme e uma péssima adaptação. E existe um detalhe que vale saber: Cregger declarou nunca ter assistido aos filmes anteriores da franquia. Ele mesmo reconhece que quem é fã dos longas provavelmente não vai estar preparado pro que ele fez.
Ou seja: se você vai ao cinema esperando o Resident Evil que você conhece dos filmes, é bem provável que saia frustrado. Se você vai esperando um filme de terror competente que usa esse universo como cenário, as chances são boas.
Eu vou no dia 17 apostando na segunda hipótese. Depois de cinco anos do fracasso de Bem-Vindo a Raccoon City, tentar algo diferente é o mínimo que a franquia devia fazer.
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