Moana 2: um bilhão de dólares de bilheteria não mente — mas a crítica também não
Moana 2 passou de US$ 1 bilhão e virou o mais visto do Disney+ em 2025. A animação impressiona, a história não chega perto da original. Nota 6.5/10.

Moana 2 arrecadou mais de US$ 1 bilhão de dólares nas bilheterias mundiais. Virou o terceiro maior fim de semana de abertura da história da animação. Chegou ao Disney+ em março de 2025 e acumulou 7,2 bilhões de minutos assistidos só no primeiro semestre — o filme mais visto do ano na plataforma.
A crítica deu 74% no Rotten Tomatoes. O público deu 95%.
Essa diferença enorme entre crítica e público diz exatamente o que Moana 2 é: um filme que faz pessoas felizes assistindo, mas que não vai sair da sua cabeça depois. E isso, dependendo do que você espera, pode ser suficiente ou pode ser frustrante.
A ficha técnica
| Nota | 6.5/10 |
| Plataforma | Disney+ |
| Direção | David G. Derrick Jr., Jason Hand, Dana Ledoux Miller |
| Vozes originais | Auli'i Cravalho (Moana), Dwayne Johnson (Maui) |
| Música | Abigail Barlow e Emily Bear |
| Duração | 1h40 |
| Bilheteria | US$ 1 bilhão+ (mundial) |
| Crítica | 74% Rotten Tomatoes |
| Lançamento teatral | Novembro de 2024 |
| Disney+ | Março de 2025 |
O que é Moana 2
Três anos após os eventos do primeiro filme, Moana recebe um chamado dos seus ancestrais navegadores para encontrar Motufetu — uma ilha lendária que, se libertada, reabrirá os caminhos entre os povos da Oceania. Ela parte com uma nova tripulação de improváveis companheiros, reencontra Maui no caminho, e enfrenta Nalo, um deus do oceano que mantém Motufetu isolada.
A premissa existe. O problema é o que a narrativa faz com ela.
O que funciona muito bem
A animação é de parar. Moana 2 é visualmente o trabalho mais impressionante que a Disney Animation fez em termos de renderização de água — e isso é muito, considerando que o primeiro filme já era extraordinário nesse quesito. Os monstros marítimos, as texturas das ondas, a paleta de cores de cada ilha visitada: é o tipo de coisa que justifica assistir na maior tela possível.
Moana como personagem continua sendo uma das protagonistas mais sólidas da Disney. Ela tem agência, toma decisões, arca com as consequências — não espera que alguém resolva as coisas por ela. Esse DNA foi mantido.
A nova tripulação tem potencial genuíno. Loto (a engenheira obcecada por embarcações) e Kele (o navegador com medo de água) chegam com personalidade suficiente para sustentar cenas próprias. O problema é que o filme não tem tempo para desenvolvê-los direito.
O que não funciona
Moana 2 nasceu como série de streaming e foi transformado em filme quando a Disney percebeu o potencial comercial. Isso aparece na estrutura de forma que não dá para ignorar: a narrativa tem ritmo de episódios tentando se comportar como ato único, com resoluções rápidas demais para conflitos que mereciam mais espaço, e uma travessia emocional para Moana que existe no papel mas não chega a pousar de verdade na tela.
Lin-Manuel Miranda não voltou para escrever as músicas. Abigail Barlow e Emily Bear são talentosas — venceram um Grammy por um álbum de fãs de Bridgerton — mas as canções de Moana 2 não chegam perto de "How Far I'll Go" ou "Shiny". São competentes, algumas são bonitas, nenhuma vai ficar na sua cabeça por semanas. Para um musical Disney, isso é uma perda significativa.
Nalo, o antagonista, é visualmente intimidador e narrativamente vazio. O primeiro Moana não tinha exatamente um vilão convencional — Te Kā era uma manifestação de dor, não maldade — e isso funcionava. Nalo tenta ser ameaçador da forma convencional e fica aquém.
A questão honesta
O primeiro Moana (2016) é um filme sobre identidade, sobre a tensão entre pertencimento e chamado, sobre uma jovem que carrega o peso da herança da comunidade enquanto ouve algo dentro dela dizendo para ir além. É um tema universal tratado com especificidade cultural real, músicas que ficam, e uma conclusão emocional que ainda funciona na décima revisão.
Moana 2 é sobre Moana encontrando uma ilha. A jornada externa está lá. A jornada interna que fez o primeiro funcionar está ausente.
Dwayne Johnson como Maui continua sendo charme puro — a dinâmica com Moana funciona, as cenas de humor funcionam. Mas Maui no primeiro filme tinha um arco sobre merecimento e identidade. No segundo, é suporte.
Para quem é
Para quem tem filhos e quer uma tarde no Disney+ sem precisar explicar nada: Moana 2 entrega. É visualmente deslumbrante, tem humor que funciona para todas as idades, e Moana continua sendo um modelo de protagonista que não precisa de resgate.
Para quem viu o primeiro filme como adulto e se emocionou com "How Far I'll Go": gerencie a expectativa. Moana 2 não vai te dar aquilo de novo. É um filme menor habitando um universo maior que foi construído com mais cuidado.
Registra no Relicário depois de assistir — tem bastante gente com sentimentos igualmente misturados sobre esse filme.
Veredicto
Moana 2 é um filme que a Disney produziu porque tinha condições de produzir, não porque tinha uma história que precisava ser contada. E isso aparece. A animação é extraordinária, os personagens que funcionavam no original continuam funcionando, e como experiência de entretenimento familiar é sólido.
Mas ao lado do primeiro filme, fica pequeno. E o primeiro filme está no mesmo serviço de streaming, a um clique de distância.
Perguntas frequentes
Vale assistir sem ter visto o primeiro Moana?
O segundo funciona como filme independente, mas perde significado sem o contexto do primeiro — especialmente na relação entre Moana e Maui. Se for assistir, começa pelo primeiro. São dois filmes de menos de duas horas cada e o primeiro é genuinamente melhor.
Por que Lin-Manuel Miranda não voltou?
Miranda declarou publicamente que não participou de Moana 2 por escolha própria — preferiu se dedicar a outros projetos. Abigail Barlow e Emily Bear assumiram a trilha musical. O resultado é competente mas sente a ausência.
Vai ter Moana 3?
Disney não confirmou oficialmente, mas o fim do segundo filme deixa o caminho aberto e os números de bilheteria e streaming tornam quase inevitável. Se vier, espero que venha com uma história que justifique a existência — ao contrário do segundo.



