I Made Friends with the Second Prettiest Girl in My Class foi a surpresa boa que eu não esperava da temporada
I Made Friends with the Second Prettiest Girl in My Class encerrou com 12 episódios. Título constrangedor, romcom mais genuína em anos. Review.
Atualizado em 8 de julho de 2026
Vou ser honesto com vocês antes de qualquer coisa: eu odiei o título. Entrei nesse anime de cara amarrada, certo de que ia ser mais um isekai disfarçado de romcom escolar, cheio de fanservice barato e um protagonista insosso cercado de garotas que existem só para suspirar por ele.
Doze episódios depois, eu estou aqui — sinceramente apaixonado por essa série, e pronto para discordar publicamente de quem dispensou ela só pelo nome.
I Made Friends with the Second Prettiest Girl in My Class (ou Kuranika, como o fandom japonês carinhosamente abreviou) encerrou em 23 de junho com 12 episódios no estúdio Connect. E é, sem nenhuma ironia, uma das romcoms mais honestas que assisti em anos.
A ficha técnica
| Nota | 8/10 |
| Estúdio | Connect |
| Direção | Hideki Tachibana |
| Baseado em | Light novel de Takata (ilustração de Tom Osabe / Azuri Hyūga) |
| Episódios | 12 (completo) |
| Exibição | 7 de abril a 23 de junho de 2026 |
| Onde assistir | Crunchyroll |
| Abertura | "Submarine Youth" — RegretGirl |
Do que se trata
Maehara Maki é um garoto sem amigos, perdido na própria cabeça, carregando um trauma silencioso do divórcio dos pais que o fez achar, sem nunca dizer em voz alta, que todo relacionamento está destinado a acabar mal. Asanagi Umi é a "segunda mais bonita da classe" — apelido dado pelos garotos da turma, que a colocam atrás apenas de Yuu Amami, a melhor amiga dela.
Umi se aproxima de Maki por acaso, descobre que os dois compartilham gostos por filmes, jogos e mangá, e começa a aparecer na casa dele todas as sextas-feiras. Não tem confissão dramática empurrando a trama para frente. Não tem mal-entendido artificial criado só para gerar dez episódios de tensão vazia. Tem duas pessoas ficando confortáveis uma com a outra, sexta-feira após sexta-feira, até que confortável vira outra coisa.
É isso. É a série inteira. E é exatamente por isso que funciona.
Por que a crítica foi dura — e por que eu discordo
Preciso ser honesto: a recepção da crítica especializada não foi unânime. A Anime News Network, no guia de pré-visualização da temporada, descreveu Maki como "o manequim típico de ansiedade, dúvida e energia genérica de protagonista masculino" e questionou se a série tinha substância além de cenas de Umi jogando Monster Hunter e comendo pizza com os garotos.
Entendo o argumento. E em parte ele não está errado: Maki É ansioso, é inseguro, e boa parte do humor da série vem do constrangimento social dele. Isso não é novidade no gênero.
Mas é exatamente aí que a crítica perde o ponto, na minha opinião: o "defeito" que apontaram é o motor emocional da história. Maki não é insosso por falta de criatividade do roteiro — ele é assim porque tem um motivo concreto e bem construído para ser assim. O trauma do divórcio dos pais não é mencionado uma vez e esquecido. Ele molda cada hesitação, cada vez que Maki se afasta de algo bom por achar que vai estragar de qualquer jeito. Quando ele finalmente recusa a confissão de Umi no meio da série — não porque não sente nada, mas porque está convencido de que não merece ou não deveria tentar — isso doeu de um jeito que poucos animes do gênero conseguem fazer doer.
O que realmente funciona
O ritmo de sexta-feira. A estrutura de "um encontro por semana, sempre no mesmo lugar, sempre pequenas mudanças" cria uma sensação de tempo passando de verdade. Você sente os dois ficando mais próximos não porque um roteiro disse que aconteceu, mas porque você literalmente assistiu, sexta a sexta, a química crescer em tempo real.
Umi é mais do que o nome sugere. "Segunda mais bonita" é um apelido cruel disfarçado de elogio — e a série sabe disso. Umi carrega um complexo de inferioridade real em relação a Yuu, escondido atrás de uma fachada tranquila. Ela não é só "a cute girl que gosta de jogos" — tem insegurança genuína por trás da personalidade descontraída, e os melhores episódios da série são quando essa fachada trinca.
Yuu é a personagem que ninguém esperava amar. A "mais bonita da classe" poderia ter sido só obstáculo ou rival genérica. Em vez disso, Yuu desenvolve interesse real por Maki, percebe que está pisando no território da melhor amiga, e toma a decisão consciente de recuar — não porque o roteiro precisa de um triângulo amoroso resolvido facilmente, mas porque ela genuinamente valoriza a amizade com Umi mais do que persegue um sentimento que ainda está nascendo. Isso é maturidade emocional rara nesse gênero.
O final não é grandioso — e é melhor assim. Maki confessa, os dois ficam juntos, e a série termina sem fogos de artifício. Sem grande declaração pública, sem reviravolta dramática de última hora. Só duas pessoas que passaram a história inteira aprendendo a confiar uma na outra, finalmente dizendo isso em voz alta.
Para quem é esse anime
Se você gostou do calor tranquilo de Shikimori's Not Just a Cutie ou da forma como Tomo-chan Is a Girl! deixa amizade se transformar lentamente em algo mais, essa série acerta a mesma frequência. Não é para quem quer drama acelerado, ciúme tóxico ou comédia barata de fanservice. É para quem aprecia romance que constrói tijolo por tijolo, sem pressa de chegar a lugar nenhum rápido demais.
O título é constrangedor. Eu admito isso de novo, porque sei que é a primeira barreira que qualquer pessoa vai enfrentar antes de dar uma chance pra série. Mas se você superar esse obstáculo bobo, vai encontrar uma das romcoms mais sinceras do ano — e eu não vou parar de recomendar essa série só porque o nome dela soa ridículo numa lista de catálogo.
Registra no Relicário e venha discordar de mim se quiser. Mas assista antes.
Perguntas frequentes
Precisa ler a light novel para entender o anime?
Não. A adaptação do estúdio Connect cobre o material de forma completa e autossuficiente. A light novel tem nove volumes publicados, então quem se apaixonar pela série tem bastante material para continuar acompanhando depois do anime.
Vai ter segunda temporada?
Não confirmado ainda. A série vendeu mais de 1 milhão de cópias entre os volumes publicados, o que dá argumento comercial para uma continuação, mas nenhum anúncio oficial foi feito até agora.
É satisfatório como história completa, mesmo sem segunda temporada?
Sim. O arco central — a amizade entre Maki e Umi se transformando em romance — tem início, meio e fim dentro dos 12 episódios. Não fica com gosto de incompleto, mesmo que o material original continue.








