Mateus Tavares
Black Torch episódio 1: o novo shonen da Crunchyroll parece Bleach com Chainsaw Man, e isso não é defeito
Review / Vale a pena?

Black Torch episódio 1: o novo shonen da Crunchyroll parece Bleach com Chainsaw Man, e isso não é defeito

Black Torch estreou na Crunchyroll lembrando Bleach e Chainsaw Man: animação forte, protagonista carismático e exposição demais. Review do episódio 1.

Atualizado em 10 de julho de 2026

Black Torch estreou e é impossível assistir ao episódio 1 sem sentir o cheiro de Bleach no ar. Alguns minutos depois, chega o cheiro de Chainsaw Man também. A pergunta que fica é: isso é preguiça ou herança bem aproveitada? Depois de ver a estreia, minha resposta é a segunda, com ressalvas.

O anime saiu na Crunchyroll, produzido pelo 100studio, adaptando o mangá de Tsuyoshi Takaki que foi cancelado depois de apenas cinco volumes lá em 2018. É um shonen sobrenatural de ninjas, espíritos e um garoto que fala com animais. E apesar de vestir as influências na manga da camisa, o episódio 1 mostra personalidade própria o suficiente pra valer a pena continuar.

A ficha técnica

Nota do episódio7/10
PlataformaCrunchyroll
Estúdio100studio
DireçãoKei Umabiki
Composição da sérieGigaemon Ichikawa
Design de personagensGō Suzuki
TrilhaYutaka Yamada
Baseado emMangá de Tsuyoshi Takaki (5 volumes)
Abertura"Freeze Me Up" — SiM
Encerramento"Groooovy" — I Don't Like Mondays
Episódios12 (confirmado)
Estreia4 de julho de 2026

Do que se trata

Jiro Azuma é um adolescente meio delinquente, criado pelo avô como descendente de uma linhagem de ninjas. Ele tem uma habilidade incomum desde que nasceu: consegue falar com animais. Por causa disso, foi zoado a vida inteira e encontrou conforto na companhia de bichos, como o cachorro Nachi.

Um dia, pássaros o levam até a floresta, onde ele encontra um gato preto gravemente ferido chamado Rago. Jiro cuida do gato até ele se recuperar, e o gato descobre, chocado, que Jiro consegue entendê-lo. Só que Rago não é um gato: é um mononoke, um espírito eterno de uma raça em guerra com a humanidade há muito tempo. Quando um mononoke hostil aparece e fere Jiro mortalmente, Rago decide entregar o próprio poder pra salvá-lo. Jiro revive com novas habilidades sobrenaturais que se somam ao estilo de luta ninja dele.

Se essa virada final soa familiar, é porque é. A forma como o episódio termina lembra muito o incidente que dá início a Chainsaw Man. E não é a única referência que você vai notar.

O que funciona

A animação é o ponto mais forte. O 100studio usou um trabalho híbrido de CG e animação tradicional, e o resultado nas cenas de ação é fluido e satisfatório. Quando Jiro usa as habilidades ninja, o episódio fica bonito de ver. A direção de fotografia claramente se esforçou pra traduzir o estilo monocromático marcante do mangá do Takaki pra tela, usando preto, branco e cinza de um jeito que dá identidade visual própria.

Jiro tem carisma imediato. Ele é o arquétipo do delinquente de bom coração, o mesmo DNA do Ichigo de Bleach, mas o detalhe de falar com animais e usar isso pra protegê-los dá a ele uma motivação mais concreta e simpática do que a de muito protagonista de shonen. Ele é sincero sem ser bobo, e briguento do jeito que adolescente é.

A abertura e o encerramento acertam. "Freeze Me Up" do SiM (a mesma banda de aberturas de Chainsaw Man, aliás) entrega a energia certa, e "Groooovy" do I Don't Like Mondays fecha bem. A trilha do Yutaka Yamada, o mesmo compositor de Tokyo Ghoul, dá o peso sonoro que o gênero pede.

O que não funciona

Exposição demais. Esse é o maior tropeço da estreia. O episódio usa praticamente todo o tempo de tela pra montar o cenário do resto da série, o que sobra pouco espaço pra qualquer outra coisa respirar. O avô de Jiro aparece pra gritar sobre a linhagem e a espada da família, despeja um monte de informação de uma vez, e some pelo resto do episódio. É o tipo de introdução apressada que conta em vez de mostrar.

A moralidade do Jiro é martelada demais. O episódio estabelece cedo que ele tem uma bússola moral altíssima em relação a animais, o que é simpático, mas a série insiste tanto nisso que chega a soar exagerado. Cena após cena reforçando "olha como ele se importa com os bichos", quase sempre com um conflito no meio, como se o roteiro não confiasse que a gente entendeu na primeira vez.

As referências pesam. Amar Bleach e Chainsaw Man é uma coisa. Lembrar deles a cada dois minutos é outra. Black Torch ainda precisa provar que tem voz própria além de misturar ingredientes conhecidos, e o episódio 1 não fecha essa conta, apenas sugere que pode fechar.

Vale a pena continuar?

Vale. O episódio 1 de Black Torch faz o mínimo que uma estreia precisa fazer: te dá motivo suficiente pra querer ver o episódio 2. A animação segura as pontas, o Jiro é fácil de gostar, e a premissa dos mononoke tem potencial que o excesso de exposição ainda não deixou brilhar.

O que a série precisa agora é sair do prólogo. Menos avô gritando sobre linhagem, mais história andando. Se o episódio 2 conseguir soltar os personagens e deixar o mundo respirar, Black Torch tem tudo pra ser um dos shonen mais divertidos da temporada de verão. São 12 episódios confirmados, um por semana, então dá pra acompanhar sem medo de maratona eterna.

Se você está montando sua lista da temporada, Black Torch é um dos destaques de ação: confira também o guia completo dos animes de julho de 2026 pra não perder nenhuma estreia.

Perguntas frequentes

Onde assistir Black Torch?
Na Crunchyroll, com legendas em português e simuldub em vários idiomas disponível desde a estreia. É a plataforma oficial da série globalmente.

Quantos episódios tem Black Torch?
A temporada tem 12 episódios confirmados, com lançamento semanal.

Black Torch é baseado em mangá?
Sim, no mangá de Tsuyoshi Takaki, serializado na Jump Square entre 2016 e 2018. Foram apenas 5 volumes antes do cancelamento, o que torna curioso o anime chegar oito anos depois.

Vale a pena mesmo parecendo Bleach e Chainsaw Man?
As influências são óbvias, mas o episódio 1 mostra identidade própria o suficiente, principalmente na animação e no carisma do protagonista, pra justificar dar uma chance. A questão é se a série vai desenvolver voz própria nos próximos episódios.

Acompanhe a temporada: o cronograma completo dos episódios e as próximas reviews estão no hub de Black Torch.

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